Lesões Bucais

Estomatologia

Estomatologia – palavra derivada do grego “estoma” (que significa “boca”). Seu significado é estudo da boca. Trata-se de uma especialidade da Odontologia que tem como finalidade prevenir, diagnosticar e tratar as doenças que se manifestam na cavidade bucal e no complexo maxilo-mandibular.

Diferentemente de vários países da Europa, América do Sul ou mesmo dos Estados Unidos, onde há muitas décadas a Estomatologia é exercida em sua plenitude, só a partir de 1992 que o Conselho Federal de Odontologia – CFO reconheceu a importância e a oficializou como uma especialidade da Odontologia. (CFO-185/92, de 23 de abril de 1993).
Nas faculdades de graduações odontológicas, a especialidade apresentou diversas denominações como Diagnóstico Bucal, Diagnóstico Oral, Medicina Bucal e Semiologia Bucal, sendo que todas estas denominações abrangiam o mesmo enfoque programático. Atualmente a denominação estomatologia é a reconhecida.
O especialista de estomatologia está apto a diagnosticar lesões dentro e fora da cavidade bucal, podendo tratá-las individualmente, ou trabalhar conjuntamente com outras especialidades médicas como a dermatologia, cirurgia plástica, oncologia, cirurgia de cabeça e pescoço entre outras.
São atribuições do Estomatologista:
  • O exame completo da boca para avaliação do estado de saúde, as condições de normalidade e as variantes do normal. Recomendações e medidas para manter um bom estado de saúde e evitar o câncer bucal;
  • O diagnóstico e tratamento das doenças próprias da boca e das doenças gerais que se manifestam na mucosa bucal;
  • O diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas que apresentam acometimento bucal;
  • O diagnóstico e tratamento das lesões pré-cancerosas na mucosa bucal;
  • A identificação dos fatores de risco para o câncer bucal;
  • O diagnóstico precoce do câncer bucal.

Candidíase

É uma infecção da cavidade bucal provocada pelo fungo Cândida Albicans. Este fungo é saprófita da cavidade bucal (vivendo em equilíbrio neste meio) sendo necessários alguns fatores para que exerça sua ação patógena como a diabete, pacientes imunodeprimidos, recém nascidos, que estão há muito tempo tomando antibióticos ou corticóides, etc..

Manifestam-se como manchas avermelhadas ou pseudo placas esbranquiçadas que cedem a raspagem. Geralmente são assintomáticas, mas também podem eventualmente causar sensação de queimação e desconforto.
A candidíase não acomete somente a cavidade bucal, mas também pele e genitais.
O diagnóstico das lesões bucais é realizado pelo Cirurgião Dentista que prescreverá um antifúngico mais adequado para o caso. Como todas as DST, é importante também o tratamento do parceiro, caso contrário, o tratamento ficará invalidado.

DST

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são causadas por vários tipos de agentes. São transmitidas, principalmente, por contato sexual sem o uso de camisinha, com uma pessoa que esteja infectada e, geralmente, se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas.

A Organização Mundial de Saúde estima que ocorram, no mundo, cerca de 340 milhões de casos de DST por ano. Nessa estimativa não estão incluídos a herpes genital e o HPV.

Em números, no Brasil, as estimativas de infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa são:

• Sífilis: 937.000
• Gonorréia: 1.541.800
• Clamídia: 1.967.200
• Herpes genital: 640.900
• HPV: 685.400

Fonte: PN-DST/AIDS, 2003 ministério da saúde

Gonorréia

A gonorréia, também denominada blenorragia é popularmente conhecida como esquentamento e é provocada pela bactéria Neisseria Gonorrhoeae, também conhecida como gonococo. É uma enfermidade altamente contagiante, com um período de incubação variante de 24 horas a alguns dias (via de regra, 2 a 10).
Tipicamente localiza-se na mucosa genitourinária, mas a infecção também pode se realizar por via oral ou anal.

As manifestações extragenitais da gonorréia são a faringite ou proctite, sendo raros os sintomas sistêmicos como febre, calafrios, artrite e endocardite.

Raramente acontecem quando a mulher é passiva (recebe sexo oral). Não é raro haver a associação com clamídia.

Herpes

Os herpes vírus apresentam pelo menos 8 subtipos patógenos, sendo que a maioria produz lesões bucais. A principio o HSV-1 produz infecções bucais e o HSV-2 infecções genitais. Atualmente este padrão não é mais obrigatório.
Na boca, a infecção primária geralmente acomete o lábio, é bastante evidente e demora mais tempo para regredir (até um mês).
Após a infecção primária o vírus pode migrar até o gânglio trigêmio, onde ficará latente. A recorrência se dá em qualquer período da vida, sendo reativado com raios UV, febre, trauma, imunosupressão, etc..

Inicialmente pode haver coceira e ardência no local onde surgirão as lesões. Logo após, aparecem pequenas bolhas agrupadas sobre área avermelhada e inchada. As bolhas rompem-se liberando líquido rico em vírus e formando uma ferida (é a fase de maior perigo de transmissão da doença). A ferida seca formando uma crosta que dará início à cicatrização. A regressão espontânea ocorre em aproximadamente 14 dias.

O tratamento é realizado com medicamentos e não há cura completa, o objetivo é diminuir o tempo de cada surto e espaçar sua frequência.
Existe a possibilidade de transmissão durante o sexo oral, dependendo da localização da lesão, mesmo com o uso de preservativos.

HIV

HIV (vírus de imunodeficiência humana) é o vírus que causa a AIDS. Este vírus é transmitido de uma pessoa para outra através do contato com o sangue (transfusões de sangue, agulhas infectadas com HIV) e relação sexual. Além disso, uma mulher grávida que esteja infectada pode transmitir o HIV para o seu bebê durante a gestação ou parto, como também através da amamentação.
Embora o sexo oral seja uma atividade de risco muito baixo, especialmente quando comparado ao sexo vaginal ou anal, é possível, em tese, transmitir o HIV através do sexo oral. O risco de transmissão do HIV por sexo oral é maior quando você ou seu parceiro (a) tem uma doença sexualmente transmissível (DST) não tratada, como gonorréia ou sífilis. Também é mais perigoso se você tiver cortes abertos, úlceras ou machucados em sua boca, garganta infeccionada, amigdalite ou alguma doença na gengiva.

Um teste de HIV positivo não significa que você tenha AIDS. A AIDS é um diagnóstico feito pelo médico, com base em critérios específicos. Também não se pode confiar nos sintomas para saber se está ou não infectado pelo HIV. Muitas pessoas que estão infectadas pelo vírus e não apresentam nenhum sintoma durante anos.

As chances de você infectar outra pessoa com o HIV, através do sexo oral, aumentam se você tiver uma infecção sexualmente transmissível não tratada. A possibilidade de você ser infectado pelo vírus ao fazer sexo oral aumenta se você tiver cortes, feridas ou esfoladuras na boca ou gengivas, ou se tiver uma infecção na garganta ou na boca causando inflamação, incluindo as doenças sexualmente transmissíveis.

HPV

Human Papillomavirus ou Papillomavirus humano, pertencente à família Papovaviridae, é o agente infeccioso que causa a virose sexualmente transmitida (DST) mais comum no mundo. O condiloma acuminado também conhecido por crista de galo, crista de jacaré, jacaré ou verruga genital. Causa também verrugas vulgares de pele.
Esse vírus é transmitido pelo contato direto com a pele contaminada, mesmo quando esta não apresenta lesões visíveis. A transmissão também pode ocorrer durante o sexo oral.

Existem mais de 70 tipos de vírus HPV, e o condiloma acuminado é apenas uma das manifestações causadas pela infecção desse vírus.
Tal como acontece com herpes, parece provável que o uso de preservativos durante o sexo oral deve reduzir o risco de infecção, mas não necessariamente eliminá-lo completamente, uma vez que o HPV se espalha através do contato com a pele.

Na boca pode ocorrer em qualquer região, mas principalmente nos lábios e língua.

O período de incubação pode levar semanas a anos. Como não é conhecido o tempo que o vírus pode permanecer no estado latente e quais os fatores que desencadeiam o aparecimento das lesões, não é possível estabelecer o intervalo mínimo entre a contaminação e o desenvolvimento das lesões, que pode ser de algumas semanas, anos ou décadas, mas o mais comum é de quatro a seis semanas.
Clinicamente aparece como pequenas verrugas.

Geralmente é tratado com remoção cirúrgica, em casos extensos realiza-se a cauterização química.

Sífilis

É uma doença crônica, altamente contagiosa, de ocorrência mundial cujas primeiras manifestações ocorreram no século XV como um quadro epidêmico, mas seu agente etiológico foi descoberto somente em 1905. O homem é o único hospedeiro natural e exclusiva fonte de infecção.

É causada por uma bactéria (Treponema pallidum) que é capaz de infectar qualquer órgão ou tecido. O agente causador da sífilis entra no organismo através de pequenas lesões na pele ou mucosas ou pela corrente sanguínea.
Pode ser adquirida através de sexo vaginal, anal ou oral com pessoa contaminada, além de transfusão de sangue contaminado ou, da mãe grávida contaminada, para o feto.
É extremamente fácil sua transmissão através do sexo oral. Na verdade, em algumas áreas dos Estados Unidos, o sexo oral é responsável por cerca de 15% dos casos sífilis.
Clinicamente, a evolução da doença ocorre em três fases: fase inicial ou primária, fase secundária e fase terciária ou tardia.
As lesões primárias ocorrem cerca de 21 dias após o contagio. Aparecem na forma de uma ulcera rasa exatamente no local onde houve a inoculação do Treponema Pallidum. Assim, nas relações sexuais orais, dependendo do local de contato, as lesões podem ocorrer nos lábios, língua, palato (céu da boca) ou qualquer outro local.
Nesta fase (primária) aparece como uma ferida (no ânus, na vulva, na boca, no pênis) que não arde, não dói, não tem pus, não sangra, não cheira mal, porém é muito contagiosa. A ferida desaparece sozinha depois de aproximadamente 10 a 15 dias, mas isso não quer dizer que a pessoa se curou, e sim que a doença passou para o sangue.
Depois de 2 a 3 meses que a ferida desapareceu, aparecem manchas avermelhadas em toda a pele (fase secundária), principalmente na palma da mão e na planta do pé. Da mesma forma que na fase primária, mesmo quando não tratadas desaparecem após algum tempo.
A sífilis terciária ocorre em pequena parcela dos pacientes infectados e se manifesta depois de alguns anos sob a forma de reações lentas, podendo afetar o cérebro, o coração e outros órgãos.
O tratamento da sífilis tem como referencial a prescrição de antibióticos