2019.  Lesões Bucais. Prof. Dr. Sérgio Kignel.

Aspectos Clínicos:

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O carcinoma espinocelular pode se manifestar de formas diferentes, dependendo da interação de uma série de fatores, dentre os quais: o grau de diferenciação do tumor, a localização anatômica e o tempo de evolução da doença. O grau de diferenciação determina a sua agressividade, sabe-se que quanto mais indiferenciado é o tumor, ou seja, quanto mais as células tumorais assemelharem-se às células embrionárias mais agressivo é o seu comportamento, tende a apresentar crescimento mais rápido, maior capacidade de infiltração e destruição, as metástases regionais que se estabelecem pela via linfática são mais numerosas e freqüentes.

 

 A localização anatômica também interfere no aspecto clínico, uma vez que dependendo da região afetada, o tumor pode encontrar barreiras anatômicas (músculos, bridas, ossos etc…) que dificultam a sua progressão. De uma maneira geral, o câncer invade os tecidos e infiltra-se a medida em que encontra planos de menor resistência, de forma figurada, lembrando o aspecto de um caranguejo.

O tempo de evolução é determinante para o aspecto clínico da lesão, pois o envolvimento dos tecidos adjacentes é progressivo e, dependendo da associação com os outros dois fatores mencionados, pode assumir aspectos diversos.

 

Clássica e didaticamente, os aspectos clínicos dos carcinomas espinocelulares têm sido classificados em lesões endofíticas e exofíticas. As formas endofíticas podem assumir o aspecto de: úlcera superficial, úlcero-infiltrativa e úlcerodestrutiva, enquanto que as formas exofíticas, por sua vez, podem se expressar através de crescimentos vegetantes: moriforme, em couve-flor e papilífero.

 

Os sarcomas, tumores malignos originários de células provenientes do conjuntivo, podem acometer as estruturas que formam o complexo maxilomandibular, nestes casos, se manifestam clinicamente como lesões nodulares de localização profunda e submucosa, ulceradas ou não.

 

Na evolução clínica do câncer na cavidade oral podem ser destacados três estágios distintos, a saber: in situ, micro-invasivo e invasivo. O carcinoma in situ, na maioria das vezes, se assemelha clinicamente a uma leucoplasia, manifestando-se como uma mancha ou placa branca, não removida por raspagem. Em outras ocasiões, pode aparecer como área vermelha ou com a combinação desses aspectos. A única forma de diagnosticá-lo é através da biopsia, mesmo assim, tem sido difícil estabelecer em nível histológico o diagnóstico diferencial entre displasia severa e carcinoma in situ, de qualquer forma, as alterações celulares estão restritas ao epitélio sem invasão da membrana basal. Tem um excelente prognóstico, pois a totalidade dos casos diagnosticados e tratados de modo adequado nesta fase são curáveis .

 

O carcinoma micro-invasivo embora possa continuar exibindo as características clínicas descritas para o carcinoma in situ, em geral, se ulcera, e se estende superficialmente até 2cm e em profundidade de 3 a 5mm. Nesta fase, já são perceptíveis, através da palpação, alterações na consistência do tecido lesado; em especial as bordas e a base se tornam endurecidas, lembrando uma base de cartolina (base cartonada). Com freqüência é assintomático e o diagnóstico pode ser estabelecido através da biópsia com o respectivo exame anatomopatológico. Embora a membrana basal já tenha sido rompida e o tumor esteja começando a se infiltrar, o prognóstico continua sendo bom, caso o tratamento adequado seja instituído de forma imediata.  

 

O carcinoma invasivo é o resultado do carcinoma micro-invasivo não tratado. Insidiosa e de modo progressivo, a lesão vai se infiltrando e destruindo os tecidos, assumindo um aspecto de lesão ulcerada e bordas irregulares, proeminentes e endurecidas, o fundo é necrótico com aspecto granuloso e grosseiro. A lesão no seu todo é avermelhada, extremamente friável e sangrante ao toque; pode apresentar pontos esbranquiçados e amarelados, resultado da infecção secundária que se desenvolve no tecido; pontos escurecidos também são observados refletindo áreas de necrose tecidual e odor fétido. A lesão pode se manter assintomática por um período variável; a dor é um sintoma que só aparece quando já existe invasão profunda da musculatura e de filetes nervosos, nesta fase, o paciente poderá ter dificuldade em falar, mastigar e deglutir, além da perda de peso acentuado em curto período de tempo. 

Fonte: Livro – Estomatologia, bases do diagnóstico para o clinico geral. Autor Sergio Kignel. Capítulo 15 - Autores: Paulo José Bordini|Sanny Fabretti Bueno Grosso |Soraya Carvalho da Costa