2019.  Lesões Bucais. Prof. Dr. Sérgio Kignel.

Sífilis:

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O agente etiológico é o Treponema pallidum (TP), pertencente à família Spirochaetacea, preferentemente anaeróbio, possuindo espiras regulares, uniformes e separadas, movimentos tipo saca-rolhas. A infecção pelo TP não confere imunidade, sendo o homem reservatório exclusivo, cuja fonte de infecção é unicamente outro humano.

 

A principal via de transmissão é pelo contato sexual, embora a mesma possa ocorrer pela via uterina e por transfusão sangüínea. Sua infectividade pela via sexual situa-se em torno de 30% dos casos em relações íntimas de número variado. Em voluntários, a infecção só se desenvolveu em 10% dos casos após uma única relação sexual.

 

A suscetibilidade é universal e não há variação quanto à raça, sexo ou idade. A diferença da incidência em alguns extratos indica mais a atuação de fatores sociais do que biológicos.

 

O TP encontra-se no sangue em todas as fases da doença, raramente nos primeiros dias da infecção, mas, em grande número da sífilis recente. Com o passar do tempo, nas fases latente ou tardia diminui consideravelmente sua quantidade na circulação, estando praticamente inexistente nesta na goma sifilítica.   O contágio da sífilis adquirida, em 95% dos casos, ocorre através do ato sexual, sendo que a forma extragenital venérea corresponde a mais ou menos 10% e destas 50% ocorrem na boca.

 

A transmissão se dará dependendo do tempo de infecção, da presença de lesões úmidas infectantes, do contato íntimo, da quantidade do inóculo e da presença de portas de entrada.   Na sífilis congênita a infecção fetal se faz via hematogênica a partir do 4° mês de gravidez.  

As manifestações da sífilis são notoriamente variáveis. A doença adquirida é dividida em recente, latente e tardia. A fase recente é dividida em primária e secundária caracterizada por manifestações muco-cutâneas. Há um período de latência, seguido por um estágio terciário, caracterizado por lesões crônicas progressivas dos sistemas nervoso, cardiovascular e musculoesquelético.  

 

A sífilis adquirida recente, tem início através da passagem dos TP principalmente pela mucosa genital e raramente pela mucosa bucal, não havendo necessidade em ambas que haja solução de continuidade, isto é, atravessa as mucosas normais. Acredita-se que isto dificilmente acontece em pele normal.  

 

Após a inoculação e o tempo de incubação, que gira em torno de três a quatro semanas, podendo chegar em alguns casos a até três meses, surgem os sinais e sintomas da doença, dos quais o cancro duro (protossifiloma) é o primeiro a surgir. Ele é usualmente solitário e indolor, mas ocasionalmente múltiplo, aparecendo no local da inoculação. Está sempre acompanhado de linfadenite satélite. Esta lesão primária se cura em 2 a 4 semanas mesmo sem tratamento algum.   O protossifiloma na boca localiza-se principalmente na semimucosa labial, na língua e na própria mucosa labial. Pode ocorrer em qualquer outra região, como na faringe, laringe e amígdalas. Os seus aspectos clínicos são representados por lesões ligeiramente elevadas, papulares, erosadas ou ulceradas, de formato circular ou ovalado, com bordas e infiltrações nítidas, centro necrosado recoberto por viscosidade. Chega a medir até 2 cm de diâmetro. Quando atinge áreas mais queratinizadas como, por exemplo, as comissuras labiais externas, passam a formar lesões crostosas.   

 

A sintomatologia do secundarismo, conhecidas como sifílides, ocorre após período de latência de seisa oito semanas após a lesão primária que pode ainda não estar curada. Caracteriza-se pela presença principalmente na mucosa bucal, de lesões altamente infectantes representadas pelas típicas placas mucosas ligeiramente dolorosas, de coloração esbranquiçadas, opalinas, de forma circular ou oval, ou pela presença de manchas eritematosas (sífilides rosáceas), causadas pela disseminação do T. pallidum.  

 

A fase latente, mesmo nos casos não tratados, tende a acontecer. A infecção permanece assintomática e pode ser revelada eventualmente durante um teste de rotina, durante a gravidez, por exemplo. As lesões secundárias regridem espontaneamente em cerca de 2/3 dos casos, entrando o paciente para um novo período de latência, agora mais longo, no mínimo de 1 ano, quando podem começar a desenvolver os primeiros sinais da fase tardia,  conhecidos como sifilomas. Durante este período latente, que pode durar até 4 anos, pode ocorrer a cura expontânea ou o caso caminhar para a fase tardia.  

 

A fase tardia aparece em cerca de 1/3 dos casos dos pacientes com sífilis latente não tratada e vem se tornando cada vez mais rara. As lesões são mais freqüentemente vistas na pele, mucosas, ossos e articulações, coração e sistema nervoso.   O primeiro sinal é representado pela goma sifilítica, que não é contagiosa e também não muito comum na mucosa bucal, porém pode estar presente em qualquer outra parte do organismo, como a pele, ossos, tecido nervoso, vísceras e outros locais.        

 

Fonte: Livro –     Estomatologia, bases do diagnóstico para o clinico geral. Autor: Sergio Kignel
                             Capítulo 8 autor : Jayro Guimarães Jr.